14/12/2011

Para nascer pouca terra, para morrer toda a terra: Cadernos de Estocolmo

Quando se dá o encontro entre duas almas logo as outras que as rodeiam se dispersam e desviam numa dança que é de corpos, mas que atinge o espírito. Uma vez atingido o espírito, o corpo lhe cede e a dança é por este ditado. Do corpo se esvai a vontade espasmódica e nele se imbui a vontade espiritual - imperador logo que cai república. Apenas subsiste o instinto espiritual, essa ânsia de ter o amanhã que o espírito dita e o instinto corporal nele se integra para que desse objetivo se inteire o corpo. Mas o espírito também aprisiona a mente; tornando-a servil, transforma a sua missão, transformando a sua missão logo lhe parece que tudo comanda não vendo nem reconhecendo os fios de marioneta que o ligam a algo que se supõe mais alto, mais sublime e matricial. É aí que a vida se confunde com o espírito e o espírito dela tudo faz. Nesta confusão de existências vive o indivíduo que se vê sublimado, de missão em punho, pé e cabeça, mãos, dedos e olhos. A nenhum meio se exclui para atingir tal fim mas nenhum fim, finalmente, o firma na terra.

Lá começou a nevar, se bem que timidamente. Às escondidas, só os amantes noctívagos são sua testemunha.

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