12/03/2011

Bater no Ceguinho

Hoje é dia de manifestação da "geração à rasca". Elementos partidários da esquerda agitam-se; palavras contra o capitalismo exaltam o neo-PREC que se avizinha; a finança e o capital internacional são o grande inimigo; toca o fado da Maria Triste.
Os movimentos não repararam que é uma manifestação por perda de direitos garantidos e de expetativas goradas pela sucessão de mentiras. É, seguindo o método de Marx, a burguesia contra a burguesia.

11/03/2011

Cantigas Velhas e Entorpecidas

Em Portugal, por causa da crise, os movimentos sociais e políticos (incluindo os partidos da esquerda à direita) utilizam a técnica da fuga para a frente. Culpam o capital e a finança internacional pelo desemprego e pela precariedade, pela falta de produção e competitividade. Durante séculos, o nosso país resignou-se a adoptar o capitalismo apenas no que ele tem de consumo; este facto levanta, principalmente desde o século XIX, o problema da dívida pública com o acumular de crédito emprestado para fins públicos.
Nas últimas décadas, a dívida ascendeu ao privado com famílias, empresas e banca endividadas sem que possam pagar o que devem; este endividamento, ao qual se junta a irresponsabilidade política, é utilizado não como forma de alertar para os problemas da gestão nacional mas para atacar o capital estrangeiro. Este epifenómeno muito me recorda as guerras filipinas pelo controlo do centro europeu; guerras que eram feitas contra quem os reis espanhóis estavam dependentes financeiramente. Enquanto travavam guerras contra os holandeses, estes empenhavam-se em emprestar os créditos que permitiam o esforço de guerra espanhol.
Portugal, melhor dizendo a elite e parte da burguesia portuguesas, nunca advogaram as teses do capitalismo emergente dos séculos XV e XVI, e acompanharam Filipe II, Filipe III e Filipe IV contra o movimento fundador que juntaria ciência e capitalismo como as grandes forças da herança do euromundo.
Sabendo que a receita do Estado Social passa pela adopção de uma economia produtora - como é exemplo a história da Suécia -, Portugal afunda cada vez que chegam ao fim os ciclos económico-financeiros do crédito internacional.