13/05/2010

A História Sim, Não se Repete

Este excerto do Vasco Pulido Valente sobre o século XIX português até podia servir para um comentário sobre o teatro das massas da atual política nacional:
"A imprensa local e a do Porto não se referiram aos pormenores técnicos do caso. Mas não pouparam descrições do padre, da sua virtuosa vida e da sua imensa caridade; ou da "mãe decrépita", que o acompanhava quase moribunda. "A cena", como escreveu D. Garcia de Mendonça, "era patética, sentimental e socialmente pungente", ou seja, perfeita para a retórica de Vieira de Castro.Percebendo isto, o delegado do Ministério Público pediu mesmo ao júri que "não se deixasse iludir pelos rasgos oratórios do defensor, pelas flores da sua eloquência e pelas belezas do seu talento". Mas sem se impressionar com esta apresentação, Vieira de Castro abriu com a seguinte tirada: "Não trago flores, senhores jurados, para vos iludir. As flores oferece-as o povo ao sólio, a saudade ao túmulo, a devoção aos templos. As flores são para os regozijos públicos, para as alegrias, para os júbilos. Este é um dia de luto. Não tenho flores para vos iludir: tenho a verdade e as lágrimas para vos convencer." Falou depois, sem interrupção, durante três horas.O auditório gostou do seu estilo de "rebentões de ouro", que, "desprendido das formas antiquárias do foro, dos monótonos parágrafos e das citações jurídicas", se "elevava em voos de sublimes concepções de filosofia e de direito". O júri gostou tanto que absolveu os réus."
Vasco Pulido Valente in Glória

Deixa Lá Não Faças Hoje


Ainda há cerca de uma semana, Zapatero vivia aqueles últimos cinco minutos de propaganda sobre a manutenção do mais do mesmo, até que ontem lá anunciou que os factos obriga-lo-iam caso não baixasse os salários dos funcionários públicos e controlasse os gastos pelos lados da subsidiodependência.
Por cá mantemo-nos nos cinco minutos finais de um regime de partidos que não quer perder o eleitorado que, afinal, vistas as coisas pelo lado da verdadeira mobilização social, nunca teve. Ficou-se, então, pelo simbólico, pela purga dos altos rendimentos; ficamos à espera que o turismo floresça em Fátima para taparmos uns quantos buracos no orçamento.