08/03/2010

P(R)EC'alhadas


Parece que lá conseguimos descolar da Grécia, num processo que me parece de louvar, feito pela caríssima multinacional de relações públicas Kreab & Gavin Anderson (KGA). Nos jornais internacionais continuamos em primeira página e por cá espera-se que os impostos aumentem até 2013, naquilo que já era de esperar face às lutas sindicais e ao mais do mesmo desta economia sustentada pelos credores internacionais. É que para mostrarmos a Bruxelas que quem coordena a nossa economia, ou seja, descer o défice público para 3% até 2013, teremos, como sempre de agravar a carga fiscal.


Os gregos vão já num terceiro pacote de corte de despesas, tendo de enfrentar uma possível subida do IVA de 19% para 21% - tal como cá a única forma de obter receita -, congelar pensões e cortes no 14º mês dos funcionários públicos. Num país como o nosso, ainda um pouco longe da atual situação grega, continuamos com os sindicatos que, apesar de muito legitimamente convocarem greves, ainda não entenderam que já não podem fingir-se Ali-Babás tentando resgatar o tesouro aos quarenta ladrões; continuamos com candidatos do PSD sem grandes ideias de monta para a reformulação da economia, no que me parece ser a continuação do que eles sabem ser o sistema de benefício próprio deles e dos restantes partidos, ou para não ser tão cínico, talvez o problema fica-se pela falta de criatividade; continuamos presos à ideia de uma economia distributiva sem antes termos acautelado uma economia forte que conseguisse apresentar tecido industrial, pelo menos, para consumo interno.


O FMI ou a UE podem vir aterrar em Figo Maduro daqui a uns dois anos e podem com certeza resolver o problema do défice e injetar uns quantos euros e podemos até ver um arranjo sério e patriótico entre todos os partidos, que voltaremos à mesma roda da fortuna onde sempre, parece, acabamos por voltar; pois teimamos em copiar os outros no que eles têm de contemporâneo sem nunca acautelarmos os processos.