31/03/2009

Medina Carreira como State of Mind

"Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse."

29/03/2009

"Dicen que no hablan las plantas, ni las fuentes ni los pájaros
Ni el onda con sus rumores,
Ni con su brillo los astros:lo dicen,
Pero no es cierto,
Pues siempre cuando yo pasode mí murmuran y exclaman:
- Ahí va la loca, soñandocon la eterna primavera de la vida y de los campos,
Y ya bien pronto, bien pronto, tendrá los cabellos canos,
Y ve temblando, aterida, que cubre la escarcha el prado.

- Hay canas en mi cabeza, hay en los prados escarcha;
Mas yo prosigo soñando, pobre, incurable sonámbula,
Con la eterna primavera de la vida que se apagay la perenne frescura de los campos,
Y las almas, aunque los unos se agostan y aunque las otras se abrasan.
Astros y fuentes y flores, no murmuréis de mis sueños;
Sin ellos, ¿cómo admiraros, ni cómo vivir sin ellos?"
Rosalia de Castro

28/03/2009

Paixão

Ontem estive pela manhã na escola secundária onde dei os primeiros passos nesta paixão pela escrita, para uma conferência sobre o futuro de um licenciado há pouco lançado para o mundo. Comecei a minha intervenção com a importância que um novo sistema de ensino teria para o fomento de um novo Estado, virado para o mundo, capaz de negociar o seu futuro nessas novas instâncias internacionais, desde o intergovernamental ao supranacional. É que sozinhos com a micropolítica que os nossos pilotos nos querem vender, não chegamos a bom porto; e, com este ensino, também não.
Propus, então, que a escola seja um guia da natureza de cada um, que faça brotar o que de mais belo existe: a excepção de cada um; invés deste sistema abstracto alicerçado na programática e no sebentarismo herdados desse francesismo iluminado com nome de Marquês de Pombal. Esse novo ensino seria o da criatividade, do génio que pulsa em cada um de nós, para mudarmos o estado das coisas através do sonho; o ensino que nos cumpra e nos faça pensadores e não pensados. No final congratulei-me por, no meu caminho de vida, me ter cruzado com professores realmente amantes e mestres da arte de ensinar: a Teresa, a Rosa, o Carlos, o Luís e a Filomena.
Pela noite ainda fui escutar os soundbytes do Silva Lopes no Hotel Baía (Cascais); não me surpreendi com nada, pois já esperava o discurso keynesiano, a economia sem política, o direito sem justiça e a política dos microespaços atenta ao calendário eleitoral. Mas cheguei a concordar com questões, que acabam por não ser fracturantes. Não intervi.

18/03/2009

Lula & Obama


Enquanto nas Américas (a América dos quantos Estados nela existem) vão-se acentuando as diferenças, trazidas pelos novos caudilhos índios, Luiz Inácio Lula da Silva é o terceiro chefe de Estado a ser recebido por Obama. No final do chamado período de graça para o governo norte-americano, a política internacional parece voltar ao habitual; é que Lula não convenceu Obama quanto à nova rodada de Doha e, apenas conseguiu acalmar alguns ânimos neo-realistas acerca da nova América do Sul e do continuado processo de integração: na Bolívia Evo Morales retirou a força militar que guardava a embaixada norte-americana; Chávez estabelece medidas de segurança nos portos dos Estados com governos da oposição, para voltar a impôr a ordem da sua própria máfia que negoceia a entrada do ouro branco colombiano; e a vitória de Maurício Funes em El-Salvador, ex-revolucionário do FNLM, pragmático, próximo do PT - não é por acaso que o seu organizador de campanha é um petista e a sua mulher, paulistana. Funes já anunciou uma "Política Exterior Independente" (relembrando Jânio Quadros), dando uma no cravo e outra na ferradura como faz Lula e como fizeram quase todos os chefes de Estado sul e centro-americanos em relação aos EUA; é que o seu passado revolucionário durante a guerra civil el-salvadorena contra o governo apoiado por Washington, ainda guarda resquícios que são importantes para a manutenção do seu eleitorado e para acalmar Obama.


Lula, pragmático como sempre, encontrou um novo presidente que não vai atender aos interesses da indústria do etanol brasileiro e, tentará negociar a continuação do paradigma financeiro e económico vigente, com as mudanças mínimas do costume. Lula já avisou que é tempo da política e não dos debates técnicos; e tem razão, pois já se tem queimado muito tempo com conferências do mais do mesmo, diálogos infindáveis sobre o sexo dos anjos e situacionismo que não vê para lá dos efeitos deste continuado paradigma. Apenas numa coisa Obama e Lula estiveram de acordo: é preciso não voltar ao proteccionismo; pois é verdade, mesmo que se nacionalizem bancos e sectores chave, que se aprovem fundos estruturais de apoio que são depois transformados em chorudas benesses e que pela Europa se reiniciem os processos conducentes aos Novos Acordos.


Espero que Lula tenha dito a Obama que espera no dia 2 de Abril uma nova Ordem Mundial, procurada na emergência do multipolar económico (que permita averdadeira redistribuição), do multipolar humano (da globalização baseada na diferenciação e na justiça) e do multipolar cultural; é que neste novo mundo já nem os EUA sozinhos conseguem superar crises geradas no seu seio e, têm de passar a negociar nas teias internacionalistas o mesmo modelo que nos venderam há umas quantas décadas. É preciso voltar a revisitar esse modelo, incluindo o multicolor sentido brasileiro; e, que Portugal, seguindo o Brasil, seja o seu sentido histórico cumprido, encabeçando um outro movimento europeu para a igualdade não apenas jurídica e conceptual entre Nações.

17/03/2009

"Fora eu, por acaso, visitar um homem que deu aos sofistas mais dinheiro que todos os outros juntos. Trata-se de Cálias, filho de Hiponico. Fiz-lhe uma pergunta a propósito dos seus dois filhos: "Cálias", disse-lhe eu, "se, em vez de dois filho, tivesses dois potros ou dos vitelos, poderíamos escolher-lhes um instrutor, que, mediante salário, os tornaria tão bons e bonitos quanto a sua natureza comportasse e esse instrutor seria um hábil picador ou um tratador experiente. Mas, como se trata de seres humanos, quem pensas tu escolher para os governar? Quem poderá ensinar-lhes a virtude própria do homem e do cidadão? Não duvido de que hajas reflectido sobre isto, uma vez que tens filhos. Tens ou não tens alguém?", perguntei-lhe. "Sim", respondeu. "Quem é ele", perguntei, "de onde é natural e quanto pede pelas lições?" "É Eveno, Sócrates", respondeu; "é natural de Paros e leva cinco minas." Achei aquele Eveno um homem felicíssimo, se é verdade que possui tal arte e a ensina a preço tão moderado. De qualquer modo, eu próprio me sentiria bem orgulhoso e feliz se soubesse fazer o mesmo! Mas francamente, ó atenienses, não o sei fazer."
Platão, Apologia de Sócrates

15/03/2009

Uma Pedra a mais na Montanha da Mediocridade

Talvez devessemos continuar a ler estes exemplos que pululam pela blogosfera nacional, para nunca esquecermos que não vivemos no paraíso que muitos parecem querer anunciar em período continuado de pré-campanha eleitoral. É que me parece que esta política do planeamento a curto prazo, ditada pelas regras da lógica quaternária e dos pequenos -ismos que ficarão apenas no rodapé de uma qualquer enciclopédia poeirenta, continuarão a poluir as mentes dos que estão dentro e dos que estão fora; e como já aqui disse muitas vezes e, também, em público, mesmo dentro continuo a querer que as estruturas partidárias sejam actores da sociedade e não apenas centros de emprego e formação política precária. São exemplos destes que mostram o quanto temos de aprender com o sentido da liberdade, daquela que guiou as nossas maiores mentes, aquelas que voaram.
Espero que continues a voar, Samuel.

13/03/2009

Portuguese Chord

Meu povo que na palavra,
Arde em fogo ateado,
Pela ânsia de mudar,
Com a força feito mar.
- O sol na bruma.
Dessa esperança apeada,
Pelas batalhas que adormeceram o espírito.
Deixai escorrer o líquido venoso,
Em rio que terminaria oceano,
De conquistas e glória.

12/03/2009

Diálogos IV


O que temos de cumprir?
O que devemos cumprir é o que já está cumprido em nós, mas que por várias razões acabamos esquecendo ou remetendo para o plano do irreal ou do impossível. O que está cumprido em nós apenas espera que acedamos a ela; quando isso não acontece, continuamos vagueando entre sonho e destino, sem nunca os encontrar juntos, antes achando-os em estradas paralelas. Quando isso acontece não ultrapassamos a ideia que temos do futuro, nem acedemos ao infinito, mantendo-nos entre o tudo e o nada de uma pedra calada. Cumprir-nos é ultrapassar o que somos, pois acabamos inundados de ideias que compramos e vendemos sobre o que somos, acabando anulados, perdidos, solitários com medo da solidão. Basta que a acendalha caia no nosso fogo para que possamos vaguear por aí, cumpridos.

O que encontramos na solidão?
O que devemos encontrar é a nossa essência. É normal que achemos alguns monstros; tenho de dizer que eles são monstros agora, pois assim os catalogaram; a natureza humana é infinita e não contempla o bem e o mal. Tu perguntas o que é o bem e o mal, eu te respondo que não os conheço, pois se um dia os vi, não me vi a mim mesmo e me assumi como a totalidade das parcelas finitas, lógicas e racionais. O que temos de encontrar na solidão é a contemplação livre da nossa natureza, para que quando estivermos amando os outros nas suas diferenças e contradições, os possamos ver para além da construção prévia da finitude; isto também se aplica ao método científico, pois é preciso partir para o mundo e não ficar preso aos ensinamentos de figuras e conceitos. Quebremos isso de uma vez por todas e sejamos pensantes e não pensados.

10/03/2009

"Navegar é preciso, viver não é preciso"

08/03/2009

Da Natureza Humana

Tantas vezes confundimos a dimensão humana com a dimensão do natural, que tendemos para a apropriação da segunda pela primeira, esquecendo que a primeira procede a segunda. A dimensão do natural é aquela que contempla o Homem dentro do Homem, que o deixa solto tanta na acção como na não-acção; que o torna grande por se saber pequeno, que é todo o infinito e também a infinitésima parte dele.

A dimensão humana é a que contempla o finito no quotidiano, que se enclausura entre o bem e o mal, entre o ser e o não ser, ou seja, entre o não e o sim. É aquela dimensão que nos arranja na sociedade, que nos sublima cidadãos em conexão com a dimensão natural, mas que ao mesmo tempo nos absorve na inferiorização de nos sentirmos pequenos, tornando-nos tiranos; e ao tornarmo-nos tiranos, desafiamos todas as outras dimensões que nos indicam o caminho do natural, afastando-nos da pura justiça que vive na dimensão superior da nossa natureza.

05/03/2009

Cadernos de Bruxelas VII - Da Democratização


Perguntamo-nos ainda hoje se o Estado de Direito é regra ou excepção. Numa sociedade internacional baseada nos princípios do racionalismo e do interesse estadual,onde o império dá lugar à comunidade e onde as poucas comunidades reservam para sipróprias as vantagens de tais consociações, podemos afirmar que o Estado de Direito é ainda realidade de poucos. Mesmo com os esforços da comunidade internacional que procuram estabelecer um iluminismo crioulo através de mecanismos de engenharia social, muitas vezes descurando traumas e processos colectivos próprios de cada sociedade, a democracia é ainda um luxo: recordo as últimas investidas russas por terras da Geórgia, Estado ainda há pouco tempo sem estruturas democráticas e com as últimas eleições presidenciais realizadas em Janeiro do ano passado sob observação de organismos internacionais. Às portas da Europa unida mantêm-se uma série de comunidades sem democracia plena e com questões conflituais que ultrapassam o social. E reconhecemos as problemáticas das comunidades sem Estado, dos Estados sem Nações, das Nações em busca do Estado em processo de importação de modelos, ou dos Estados que procuram instaurar uma Nação através de preceitos ocidentais.

Com isto queremos afirmar que muitos dos actuais processos de democratização são, também, para os Estados receptores, processos de construção de Nação, no sentido em que se procura centralizar um pólo nacional de concórdia em torno do esforço de liberalização e democratização da sociedade. Esse pólo é, muitas das vezes um centro monopolístico do poder, encarnado por uma cidade ou região que congrega em si um arranjo entre elites políticas e económicas ocidentalizadas, que enviam os seus filhos para estudar nas universidades europeias e norte-americanas, que desfrutam de grande parte dos luxos que gozam as elites ocidentais numa lógica de enrichez-vous! vivendo das dialécticas do poder que se geram em torno dele e das variadas regiões do Estado, sendo esse centro político gerador de processos de engenharia socializante. Tal como nos diz o Prof. Hespanha “a divisão política do poder constitui também um instrumento de poder (ou um aparelho político) que serve tanto para a organização e perpetuação do poder de certos grupos sociais como para a expropriação de outros grupos. Com efeito, cada grupo social detém, de acordo com as características da sua organização, a capacidade de gerir certos aparelhos, enquanto que outros aparelhos escapam ao seu poder de direcção.”1

Esse centro e essa elite encontram-se em contacto com as esferas de poder ocidentais, dialogando com elas, quer a nível público quer privado, sendo esses contactos essenciais, não só pelo mimetismo que causam, como também pelos jogos de influência e pressão internacional que exercem, participando activamente na formatação das novas regras do jogo interno desses Estados. E, se quisermos procurar nesse novo poder a legitimidade, basta-nos dizer que o fenómeno do poder não é apenas facto, mas essencialmente um pacto em que ao longo do tempo as formas de o legitimar têm sido encobertas em metáforas e figurativos cada vez mais complexos. Pois ao considerarmos o poder como percepção, tal como o fazia o mestre Agostinho da Silva, podemos concluir que o tal soft power de Joseph Nye Jr. é cada vez mais importante num mundo em frenética mutação, do que o hard power que se pretende transformacional através da força efectiva e que, ao perder legitimidade nas sociedades esclarecidas, também encontra a revolta das comunidades invadidas no seu seio.

Os mecanismos de engenharia social e a pacificação das sociedades através da institucionalização do conflito social, da realização de eleições, da aprendizagem democrática por mimetismo continuado, da exportação de técnicas de governação e da imposição de regras internacionais que procuram homogeneizar as respostas, são ferramentas de uso no quotidiano nas sociedades que iniciam um processo de democratização.



1 A. M. Hespanha, As Vésperas do Leviathan – Instituições e Poder Político: Portugal Século XVII, p.87.

04/03/2009

Diálogos III


O que é o medo?
O medo é uma outra forma de sono que nos deixa imobilizados no espaço, sem a vontade, a criatividade necessárias para voarmos. Quando o desejo nos possui, mantemo-nos estáticos, mesmo que continuemos correndo por todas as divisões da nossa casa; e sabemos o quanto o desejo é o primeiro passo para a vontade e para o sonho. Mas o medo é esse elemento auto-coactivo que nos inibe de viver o sonho, mesmo quando estamos a sonhar; que castra a nossa natureza, pois toda ela é livre. O medo é, então, aprendido e apreendido num dado momento da nossa existência e tende para a clausura da essência, pois o medo nunca está contido no antes do ser que já era.

O que é desejo? O que é vontade?
Como disse antes, tanto o desejo como a vontade são estágios posteriores ao sonho, visto que o sonho é algo já contido em nós, tal como o destino. Mas a vontade e o desejo não são conteúdos em si mesmo, antes formas abstractas que nos deverão guiar. Quando mencionei o paradigma ser-ter-estar, pensava já nisto, visto que tanto o desejo como a vontade podem estar ao serviço dele; quando isso acontece estamos perante estágios anteriores do sonho, visto que eles apenas alimentam a imagem que temos de nós, dos outros e do mundo. Reconhecer desejo e vontade como estágios posteriores do sonho é admitir que este se aproxima do destino e, aí nos cumprimos.

03/03/2009

Postal de Aniversário


Da Guiné

Para lá daquilo que alguns chamam de desviacionismos democráticos, paradigmas securitários, terrorismo e tráfico de droga, continua a pulsar uma comunidade espartilhada pelo fenómeno eurocêntrico do estadão, e à espera da verdadeira indepedência, visto que a que trouxe o modelo soviético apenas imprimiu uma maior velocidade à espiral de violência. Façamos Guiné com a inspiração daqueles que souberam organizar a comunidade em torno de si mesma.

02/03/2009

Diálogos III


Que processo de auto-sublimação é esse?
O processo de auto-sublimação pode conter em si todo o tipo de conteúdo, desde que ele tenha sido apropriado por nós – é o que podemos afirmar como realidade apropriada, realidade essa construída constantemente pela nossa mente em oposição ao ambiente. Essa apropriação pode conter vários elementos, dependente da atitude que tomamos perante tal e tal objeto ou pessoa. A leitura que projetamos sobre um dado conteúdo é já de si uma auto-sublimação, visto que depende de um quadro apriorístico. Quando isso acontece podemos dizer que estamos perante uma auto-sublimação derivada do ego, contendo em si todos os elementos processados e reciclados constantemente por este. Mas a auto-sublimação que nos deve guiar é aquela que não permite a prisão do conteúdo, e que pondera aceder ao infinito. Esse será o processo de auto-sublimação que permite reconhecer a natureza de cada um, conectada com a fonte. A auto-sublimação em que me chamo rei.

O que é ser, estar ou ter?
No atual paradigma o ser, ter e estar estão condicionados por uma catalogação que fazemos de nós e dos outros. Essa catalogação é aquela que nos tem permitido comunicar uns com os outros; mas essa comunicação não é um rio, antes um caminho percorrido por buracos e incongruências, que falsamente nos dizem identificar, nos dizem o que somos. São nesses buracos, plantados por nós, que moram o verbo ser, ter e estar; eles não são mais do que proposições do nós, e em última instância refletem apenas o sentido da existência; e estão longe do sentido da nossa essência, pois ela é indefinível. Estes verbos caminham para o definível mas o indefinível não se define, nem pelo definível, nem pelo indefinível; logo não nos podemos identificar pelo ser, ter e estar; pois ser é uma condição estática, tal como o estar, que desmente tanto a nossa natureza transmutativa constante, como o desejo de sonhar e de viajar por múltiplos espaços. Esta confusão advém das antigas leis da física e do nosso entendimento material, que admite a estaticidade e a preservação dos paradigmas, contrariando o infinito que persiste em nós. Já o ter é uma auto-sublimação que nos permite a identificação profunda com o que vemos e queremos possuir. De tanto querer possuir acabamos por ser dominados pela coisa, ou pela ideia de que somos a coisa. E, de novo, acabamos por ser uma sombra projetada no exterior, com a luz contrária escondida nas grutas do interior.

Como podemos ser um rio?

A água continua correndo, mesmo atrapalhada por ruídos externos, por movimentos mais ou menos bruscos, pela violência com que lhe atiramos uma pedra, pelo banho carinhoso que tomamos nela. Ela segue o seu percurso, que é ao mesmo tempo ditado pelas leis da física como a gravidade e, pelo desejo de chegar a algum sítio, mesmo tendo de desbravar caminho novo. Sermos rio é aliar destino e sonho. E não deixar que as nossas identificações, meras projeções, intervenham no processo comunicativo.

01/03/2009

Não é Maquiavelismo dele nem Ironia da minha parte


Sócrates até que soube apelar ao eleitorado interno, à esquerda do seu centrão, já que continua a não conseguir chamar o grosso dos alegristas. Talvez assim alguns deles possam dormir descansados até ao período eleitoral, bem como Sócrates, que acaba agora de cerrar fileiras e de congregar uns quantos poetas bem-intencionados, que acabarão sendo rejeitados daqui por uns tempos.


É que ainda continuo a acreditar que o Parlamento Europeu é apenas visto pelos partidos nacionais, como centro de deportação; ali instalados os que têm de ser silenciados, passam a contemplar a visão da política externa e deixam de emitir tantos soundbytes a partir da rádio Bruxelas-Lisboa sobre o estado da nação.

Poema em forma de Prosa

És a semente já enterrada na terra, no subsolo de toda esta carne, que é afinal espírito. O gérmen destas asas já antes depositadas em mim; o metal forjado da coroa com a qual me torno rei das terras que avisto. É essa semente que com as lágrimas que agora caem, brotará criança pelo mundo.
Algures no tempo e no espaço