30/10/2008

Cadernos de Londres IV

Assisti hoje a uma sessão na Câmara dos Comuns; assisti hoje ao jogo democrático. Mais nada terei a dizer quanto a isto.

25/10/2008

Cadernos de Londres III


Andy Warhol foi talvez o primeiro a entender a capacidade mediúnica da criação artística, através da procura do Homem e da sua exposição massificada pelos meios de comunicação, que aos poucos se iam tornando meios fabris da nova máquina de sonhos. Por aí fundou a "Factory" e anos mais tarde através do projecto "Warhol TV" permitiria-se a desmascarar as pessoas, mostrando a nudez da desmontagem continuada das personagens que todos querem ser perante uma câmera.

Para lá da personagem que incarnava, a sua arte é uma mostra de como o popular ou as suas derivações "pop" se podem facilmente disseminar pelos canais de informação que se geram e, que por mimetismo propagam reciclagens. Recordou-me em alguns aspectos aquela passagem do "La Dolce Vita", em que Fellini explora a correria incansável de uma multidão inteira atrás de duas crianças que dizem ver a Nossa Senhora.

Se Warhol disse que em poucos anos todos seríamos famosos por quinze minutos, desconstruindo o conceito de sucesso, acabou por prever o encerrar do último século não como o do segundo Iluminismo, mas como o da voz dos povos tornados populações inseridas em comunidades-continente, contrariando as comunidades-ilha. Faltará sermos mais do que uma massa amorfa e edificar a comunidade da felicidade e da imaginação por decreto ministerial.


24/10/2008

Cadernos de Londres II

Entreti o olhar por Westminster numa busca pela génese do poder político; enfrentei a decepção de perceber que ele se resume a uma série de rituais iconográficos talhados no frontispicio da abadia de Westminster: poder temporal, poder espiritual, a coroa real sobre os príncipes e as comunidades.

Não vi sequer o comunalismo nem o municipalismo à la D. Dinis, nos anos dourados do pré-Estado burocrático, dos homens bons e da pertença comunitária; não vi sequer a coroa aberta ainda à espera do império.

Continuamos à espera do mundo sem fronteiras. Realmente comunitário.

23/10/2008

Cadernos de Londres I



Escrevo estes dias em coordenadas a que não estou habituado. E continuo em descoberta de pedaços do mundo que me contem mais do que já tanto se fala em jornais, revistas, livros e sebentas do sistema. Seria precisa uma ciência perto dos factos, das personagens que neles participam e não um sistema de valores do "puxa para aqui ou para ali".

Espero encontrar neste espaço da rule of law e da magna carta, resquicios desse mundo que Sérgio Buarque pensou como da viagem do homem luso, sem continentes de arquipélago em arquipélago, de mar em mar; na fugidia esperança de se encontrar os homens entre os homens.

21/10/2008

Por um Movimento Pós-Estadualista da Lusofonia!

Já temos Homem da Semana: e ainda agora começou


Fundos Europeus

Cortaram aos burocratas desta terra 20% de fundos comunitários. Devemos sim estar contentes. E digo-o com a sinceridade devida pois é necessário um "break the law" que dê a entender que a tal "law in the books" não é mais do que produto de legisladores tornados super-heróis, que na pirâmide do sistema colocam o Direito acima da Justiça. Não só acabam alguns subsídios como parece que o Senhor Fiscal de todos nós entrará em actividade. Comprovará ele que vale a pena olhar para o "law (money) in action"?

Cidadania Lusófona

Enquanto não estabelecermos um Pacto que nos agregue como cidadãos de mais um patamar de liberdade, continuamos condenados a morrer em solo de burocratas e tecnocratas.
Temos de construir neste século um espaço de arquipélagos, tal como o fizeram os tais loucos quinhentistas, resgatando o sonho, a passarola do Padre Gusmão para voar de ilha em ilha. E sermos únicos no pensar, botando a semente da nova criação.
Ratifiquemos o Acordo que estabelece o estatuto da cidadania Lusófona! Façamos da língua o motor das trocas, crescidos de coração, amantes de nós próprios.

18/10/2008

A Poucos Dias


Anseio acordar na cidade do último império material do Pessoa.

16/10/2008

Exilado


Os ideólogos da já velha ordem pressagiam uma Declaração Mundial ao ritmo de um frenético Sarkozy. E bem hajam Sarkozys deste mundo, que da sua loucura falará o mundo. Talvez desta vez possamos perdoar os festins de croquetes da presidência portuguesa ao vermos política a sério.


Do meu palanque quero gritar o advento de um novo sistema, melhor, de um regime mundial que proclame a economia dos homens e que institucionalize a felicidade e o amor como bens preciosos, para que não se mantenham escassos.


Espero que se oiça a voz dos povos e das comunidades do mundo, para além das fronteiras que recortaram o globo e das não-fronteiras dos gestores. Espero, saudoso, desse futuro em que possamos partilhar o melhor de todos nós. Quero o mundo que viaje eternamente dentro de si mesmo, que seja mais que Bill Gates e Belmiro de Azevedo e contas públicas do Estado.


Temos de partir para a consciência de sermos nós sem medo.

Espero Acordar Numa Outra Manhã

Anseio pelo mundo que me espera. Aquele mundo vazio de coisas vãs. Aquele mundo gentil. O mundo da poesia. Espero acordar numa outra manhã ao som de outros lençóis, de outro chão que me faça sentir viajante pelo mundo. Viajante pelas palavras, pelo amor que nos une.

13/10/2008

Saudades do Futuro

Sentir saudades deste futuro Portugal em Brasil, Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, São-Tomé e Príncipe, Timor-Leste...o Portugal transformado pássaro na mão dos poetas e dos sonhadores, deste mundo sem fronteiras numa cidadania da Lusa Língua.

Entre o Situacionismo do Agora e o Situacionismo de Amanhã

As bolsas voltaram ao normal e alguns senhores já se sentem mais seguros. "Talvez o furacão já tenha passado." - exclamam.
Receio que o sistema não mude ou que mude para um outro mais do mesmo, entre os post-revolutionaries tornados da situação e os revolutionaries, numa re-edição situacionista entre marxismos e capitalismos. Precisamos de um outro sistema, de outros modelos humanizáveis e não de sistemas que nos obrigam a formatar a essência. Precisamos estabelecer os laços da comunidade a caminho do amor pelas coisas que nos unem, com o bem-estar de nos encontrarmos dentro de nós próprios.

12/10/2008

Iracema da América

Continuo em exílio interno, em busca do poema que em mim existe, sem deixar de sonhar com a criança e com a viagem que quero fazer para descobrir os outros em mim. Não quero ser a Iracema do Chico Buarque que na América se perdeu em sonhos de canto lírico lavando a casa de chá. Mas quero tal como ela viver as saudades do Ceará transformado Portugal.
Quero libertar-me deste triângulo de economistas, engenheiros e cientistas de laboratório que transportam para a política as ambições desmedidas do Portugal dos pequeninos e que nunca sentiram ou viveram a portugalidade.
Bem hajam os resistentes!

"O Arquipélago da Insónia" - Novo de António Lobo Antunes


11/10/2008

Exilar-me

Encontro-me cansado deste país sem destino e apenas com sonhos, que têm sido vendidos pelos economistas e gestores que nunca viveram a comunidade, que nunca leram Pascoaes, nem Pessoa, nem Cabral de Moncada, nem Paiva Couceiro, António Sérgio e Agostinho da Silva.
Encontro-me cansado deste país de políticos da máquina, estruturalistas que apenas conhecem as jinga-jogas da compra do poder, dos boys e das obras públicas. Dos Cavacos, dos Sócrates e dos 85% de deputados que deixam a desejar e que muitos nem se conhecem. Continuo a defender, tal como faz o Prof. Maltez, um regime de deputados equiparados a ministros acabando com o actual sistema eleitoral que apenas serve a partidocracia.
Encontro-me cansado de tanto rir de senhores engenheiros que entram na política sem nunca lá terem estado e mesmo agora não estão e que, apenas pela máquina politiqueira, chegam aos altos cargos locais. Encontro-me cansado dos que querem poder para alimentar as suas empresas de obras, que depois se tornam públicas sendo privadas nos seus estatutos (esta é em homenagem a um grande socialista, dos poucos que ainda encontro e que me confessionou estas palavras porque continuamos em tempos de paróquia).
Encontro-me cansado dos juristas que definem a Justiça pelo sistema jurídico e que de capa andam atrás dos "corruptos", mas que depois não têm provas, negando o que procuram através de um sistema e de um regime que apesar de ser o melhor de todos, não reconhece que o problema não é jurídico e também não reside na escrita de prefácios.
Encontro-me cansado da falta de materializar o sonho da viagem, o sermos eternos viajantes, dentro de nós, dentro do planeta que pelo amor ajudámos a ser diferente do robot que nos querem vender (esta é em paixão pelas palavras do Mário Claúdio na última edição da renascida Águia).

10/10/2008

As Duas Margens (Inédito)

Todo o meu corpo Portugal,
Num grito de caravela,
Sem fronteiras nem lagoas,
E a minha alma em viagem,
Lisboa, Macau, Rio.

São Paulo pela neblina,
Iguaçú,
Floresta feito Lisboa,
Rio em contracurvas,
Tejo turbulento.

Ipiranga é grito,
E eu órfão de Império.

06/10/2008

A Essência


"Desprender-se é o movimento para o Nada. Desprender-se provoca os interesses divinos na alma que assim se faz vazia."


E buscamos a essência no vazio da esperança, quando um farol ilumina as mentes, no tempo perdido entre o eu. Somos o tudo procurando erradamente engolir o outro. Somos a esfera em viagem. O mundo imaginado do infante. O sonho continuado da criança feito imperador num mundo sem fronteiras nem sinos que nos obriguem a ser máquinas.