30/09/2008

Thedorakis - Canções de Liberdade ou Morte

The cells groan,
The cells which are placed high,
The cells which are placed low.
The rain unites us,
The sun is ashamed to appear, Niko.
Yorgo, I´m held by a flower.

22/09/2008

Memória

E mesmo que apaguem tudo. Mesmo que por decreto, real documento. Mesmo que comam tudo ao almoço, que controlem. Mesmo que engulam, que incendeiam tudo. Mesmo sem sol, nem floresta, nem palavra perdida. Mesmo que corram atrás de nós, que sejam mais velozes. Mesmo que a canção seja silêncio. A voz continuará a entoar o grito da memória.

Mulheres de Atenas - Chico Buarque

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas~
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenasMorenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as restantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem~
Às suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.

12/09/2008

A história e o legado não se instituem por decreto, vivem-se no presente: resposta ao senhor autarca

A memória colectiva é um misto simbólico criado pelos homens no seio de uma comunidade, representando não só uma vontade como também uma visão dessa mesma comunidade face ao espaço e às memórias que a alimentam. Esta memória é assim como que imaginada. Para olharmos o social como comunitário temos de nos recordar da velha questão entre culturalistas civilizacionais e kulturalistas desembocando em Toynbee quando este colocava em paralelo os conceitos de sociedade e de comunidade. Enquanto a primeira representava uma teia relacional menos densa e que para alguns representa o Estado, a segunda prendia-se com as raízes relacionais que compunham a tal Nação por excelência. Ora a actual divisão administrativa portuguesa é representativa dos pequenos príncipes que rodeavam a coroa máxima e que, por conseguinte era dotada do poder central que desembocava nos variados estados gerais que se reuniam em torno dos homens bons da vila. Estes, detentores do monopólio do colectivo pois que capazes de decisão, representavam a união dos homens de que em última análise resulta o poder político, à laia de Hannah Arendt. Desta forma o poder político e a decisão estão interligados a uma imagética sonhada, importante na manutenção da identidade e garante da aproximação do poder local às populações. Exemplo dessa imagética sonhada é a variação da data do feriado municipal ao longo dos anos, quer pela mudança de visão, quer pela própria vontade popular expressa na sequência do estabelecimento do feriado a 13 de Junho.

Segundo e referenciando-me ao documento, esta não é uma questão entre esquerda e direita ou entre Estado Novo e pós-25 de Abril como se lê em algumas passagens que tentam legitimar a escolha do 7 de Junho. Se quisermos fazer disto uma guerra claramente dicotómica nestes parâmetros, entramos num debate serôdio, próprio da legitimação demagógica e adventista dos saudosistas versus revolucionários, capaz de levar a cena os tais teatros de “ensino da democracia” em discursos tudo menos pluralistas e nada esclarecedores.

Terceiro: olhando para o quadro cronológico da mudança do feriado municipal e, apenas querendo deixar mais questões do que respostas, porquê esta insistência num fantasma histórico? Porque é que a presidência coloca a argumentação no patamar “vontade popular pós-25 de Abril (na escolha do 13 de Junho) versus “legitimidade histórico-sociológica do 7 de Junho?”

Quarto: tanto uma data como a outra são legítimas e representam acontecimentos, memórias, realidades concelhias e factos históricos de maior relevância para a identidade do concelho. Se por um lado o 13 de Junho marca a identidade judaico-cristã da nossa sociedade bem como as tradições populares religadas pelo fim do paganismo, o dia 7 apresenta-se como único pela outurgação do foral de vila a Cascais nesse mesmo dia no século XIV pelo rei D. Pedro I. Neste debate todos os argumentos são válidos o que não quer dizer que seja situacionista. Uma vez mais lembro que são necessárias mais perguntas do que respostas instantâneas e fruto do momento.

Talvez com este acto a presidência da actual câmara apresente mais um projecto, de novo serôdio, como outros que se têm apresentado para Cascais. A procura histórica não se faz aquando da limpeza do edifício camarário ou da remodelação de executivos, pois queiramos ser tudo menos revisionistas. Esta faz-se continuando bom serviço público e esta proposta parece tudo menos isso. A bem que as comemorações do 13 de Junho se mantenham (e sejamos francos, sou tudo menos católico) a mudança do feriado municipal de nada adiantaria à Vila. E que tal uma proposta de criação de um legado histórico do 7 de Junho sem que seja apenas pela instituição por decreto de um feriado municipal nesse dia? Isto sim seria serviço público. Tenho dito.

08/09/2008

Vade Retro!

A Manela lá falou! Mas continuou a não preencher os mínimos olímpicos da voz oposicionista que precisamos. Voltou a citar Cavaco sem mencionar o seu nome. Voltou a citar Sócrates contradizendo-o, mas sem adiantar muito. Em conclusão: o silêncio pariu um rato.
Em Angola provou-se que os regimes exportados não funcionam, porque não se devem basear nos modelos ocidentalizados de medidas eleitoralescas e politiqueiras. A UE provou que sim que estava tudo bem pois que o mais do mesmo continuava e nós todos acreditamos.
A guerra foi vencida não para os que constroem a nação, mas para quem passou a viver em avionetas do luxo neo-liberal. Os marxistas dirão que venceu o capitalismo, mas parece-me que o estalinismo não foi batido por grande diferença.
A UNITA perdeu o Huambo e não conseguiu fazer o marketing porta a porta do MPLA, nem muito menos estar nas televiosões estatais. Fora o modelo de avaliação eleitoralesca dos ocidentais que pouco percebem de política, a democracia em África continua a ser a democracia de outros.