04/05/2008

Recorda-me o Amigo Carlos Carranca nas Palavras de Miguel Torga

"Um socialismo de homens de boa vontade, realmente fraternos, e não de funcionários afobados de uma organização partidária ".

Diário XVI, 1993

O Maravilhoso Mundo do Turismo Rural


Observava atento e desperto mais uma aldeia desfigurada demograficamente e, onde, pela força da memória, resistia o seu último habitante. Viajante emigrado por terras da Germânia, concentrava-se defronte da câmera em suspiros de saudade enquanto descrevia os caminhos dantes habitados.


Vivia nesse estado natural a que todos regressamos mesmo habitando as urbes do litoral, longe da desertificação e dos processos demográficos que nos vão definhando. E o definhar é por dentro, num movimento perdido de fronteiras imaginárias, criadas à imagem da comunidade e sonhadas em torno de uma geopolítica do Estado face ao vizinho. Engane-se quem, pelo palpitar tecnocrata comunitário, pense que nos possamos abrigar sob um tecto onde não existem fronteiras e onde os Dom Quixotes do costume passam a capuchinhos vermelhos em passeio pela floresta. Engane-se quem pensa que o nosso futuro passa apenas por um Portugal virado a Atlântico com torcicolos matinais.


Pareceu-me também ouvir repetidamente a palavra turismo e turismo rural, por quem tem responsabilidades locais. Os grupos económicos e muitas das vezes os investidores além fronteiras são os primeiros a aparecer com um cheque em branco para estes projectos. Por que não congregar esses mesmos interesses na implementação de programas de revitalização de localidades médias em rede com as cidades capitais de distrito para estabelecimento de condições estáveis como emprego e sistema de saúde? Porque não aproveitar estrategicamente a revitalização do tecido rural através da deslocalização da Universidade pública? Ou ainda de sectores do poder político?


Nestes dias deveriamos ter mais atenção aos ensinamentos de Ratzel ou ao de Samuel Cohen. Porque não trazer a universidade a discutir isso? Porque não revitalizamos os nossos empty spaces numa verdadeira reciclagem do conceito estratégico nacional?

Parece que continuamos atamancados neste turismo rural para inglês e português pseudo-citadino verem.